Eu talvez esteja de saco cheio de figuras de linguagem, então quando eu digo que agora eu acabei de sair de um sonho, entendam que eu estava dormindo e sonhando e que acordei e agora não estou mais no sonho.
Aliás, que merda de hora pra dormir. É fim de Domingo e a melhor escolha que eu pude fazer foi deitar na cama esportivamente ou continuar no PC. Aí eu deito ali. Me espremo, porque nesses momentos eu tenho a impressão de que minhas roupas são mais importantes que eu e que não tenho tempo para tirá-las de cima da cama, então eu deito espremido no espaço no qual elas não existem. Uma bosta, não sei pra quem eu empresto meu cérebro nos momentos em que tô com sono. Porque meia hora, uma hora, duas horas depois eu acordo dolorido e desgostoso. Sabe? A cabeça dói e formiga como se fosse um braço, o braço dói e formiga porque dormi em cima dele e de repente, quando me espreguiço, sinto dores onde nunca achei que houvesse terminações nervosas. Aí a única coisa que faço quando dou de cara com alguém é gestualizar pedindo uma massagem no braço porque tá faltando sangue ali e sequer consigo mexê-lo direito. Nem falar, porque a boca gruda com aquela saliva estranha e dá pra saber que, mesmo tendo dormido uma ou duas horas, só, tá fedendo como se eu tivesse dormido a semana inteira.
Alguém queria saber como eu me sinto quando acordo? Tá aí.
Acho curioso que eu tenha chegado ao ponto dessas duas opções só, dormir de brincadeira ou esperar mais um pouco, e depois, que haja toda essa eventualidade do sono-tortura e do despertar doentio; isso me leva a enxergar uma tosca representação de humanidade em mim mesmo.
Esquece, esqueçam isso. É bobagem. Ocorreu-me agora que só quis me comparar e me difamar como ser humano, ou paralelamente transformar isso numa alegoria que sirva no resto do mundo, pra fazer desse texto alguma coisa mais útil que uma reclamação. Porque a coisa toda de contar sobre a via-sacra que é acordar foi só uma artimanha pra que em pouco tempo eu esquecesse as imagens vívidas daquilo que aconteceu e daquilo que não aconteceu nesses sonhos recém-sonhados.
Bem, não deu certo. Ainda lembro do sonho. Inconveniente demais, já que os bons nunca duram mais que uma hora e são facilmente dissolvidos por aí.
Eu poderia escrever mais sobre isso. Sobre a inconveniência dos sonhos e a rudeza da realidade. Poderia me abrir um pouco mais e listar, uma a uma, das minhas mais recentes agonias às que sempre perduraram. Poderia colocar um soneto que escrevi esses dias, ou tentar concluir um texto que há tempos existe. Dizer que entendi o que se passa e descrever subjetiva e incompreensivamente meu método para mudar a situação.
Sinceramente, falta-me a vontade.
domingo, 31 de agosto de 2008
sábado, 2 de agosto de 2008
Em cima do muro
Se você for alguém curioso e quer saber até onde me disponho a gastar meu tempo com coisas inúteis na tentativa de ser engraçado, há uma versão "colorida" aqui. Mas está uma bosta.
Se você está cansado dessa agressão gratuita, fale com o Hugo. Ele cobra a hora.
Se você reconheceu a cena de um ovo sentado sobre um muro, POR FAVOR SE MANIFESTE, estou ficando maluco por nada encontrar sobre isso na internet.
Se você quer saber, o muro separa o mundo romântico do mundo niilista, e eu estava, como bom Eggman, metaforando sobre as duas coisas.
Se você adivinhar em qual mundo o Hugo está, parabéns.
Se em uma semana eu não achar isso tão idiota, faço mais.
epitaph:
bobagens
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Retrospectável, 2008, 1/2
A intenção na verdade era que eu fizesse um post assim que chegasse o meio do ano, ou o fim do primeiro semestre, que seja. O que aconteceu foi que eu não fiz esse post; acabou o primeiro semestre e não parei pra digitar nada aqui, e eis que já é mês sete, em geral, o começo de um novo semestre, e eu vim falar as bobagens que concernem ao semestre passado.
E ao novo, também.
Pois afinal esse ano as coisas começaram a funcionar semestralmente.
Quando a gente tá na escola (isso num geral) se acostuma ao lance anual. Isso é expresso nos termos, inclusive, e no fim o povão se preocupava em passar de ano. E fica a impressão de que se não passar, a vida pára. Até você repetir a primeira vez e, na melhor das hipóteses, abrir a cabeça e começar a enxergar o mundo de outra forma. E, bom, as pesssoas que conheci que tiveram que repetir o ano na escola sempre se referiram a isso como algo saudável a lhes ter acontecido. Então digamos que desde que eu percebi isso, as derrotas têm me parecido tão naturais quanto quaisquer outros fatos, o que, admito, até criava em mim uma expectativa por elas. Enquanto às vezes eu não me importava em perder, outras vezes era justamente o que eu queria, pensando é claro no aprendizado que viria depois. Então tá, dá pra dizer que eu comecei o ano assim. Pensando em perder, quase desejando isso. Bizarro, mas é fato.
Não perdi. Dali pra frente foi uma sucessão de coisas curiosamente arrumadas pra que a vida parecesse fácil e que todas as coisas parecessem ao meu alcance. Na real, a vida sempre foi fácil e as coisas sempre estiveram ao meu alcance, mas eu nunca dei a mínima, e agora que o cerco fecha, o fato de tudo ainda estar fácil e próximo me surpreende. Claro, às vezes não se aproveita a sorte e a oportunidade morre. Não morreram. As inúmeras oportunidades que eu perdi foram recuperadas até que as coisas terminassem da maneira que eu queria, ou, ainda melhor, da maneira que eu precisava. Por quê?, pergunto. Eu poderia ter aprendido da pior forma, mas não: foi simples, foi suave. Não sangrei, não suei; fui herói de TV, aquele cujo flagelo não se mostra, aquele cuja cruz não se revela.
Foi fácil, mas não foi ótimo. Não foi maravilhoso. E também não foi o fundo do poço. Queria reconsiderar essa idéia de dar às épocas e períodos classificações extremas, tipo "puxa, estou numa boa fase" ou "putz, estou numa má fase", mas não lembro mais quais eram meus argumentos, então que se exploda. O que vale dizer é que tive grandes momentos nesse semestre que passou - bons e ruins -, e que talvez seja bastante desnecessário colocá-lo em termos gerais ou defini-lo em extremos.
Inegável, acima de tudo, é que foi um semestre de lições. Uma das lições para serem aprendidas é que eu não devo destinar parágrafos inteiros a você, simples e unicamente porque você provou e provou de novo que não merece e muito menos quer isso. Dois períodos aqui são mais que o suficiente, então. Semestre de lições, só. Esse lance de aprendê-las é algo que ainda estou desenvolvendo, talvez com sucesso, talvez não.
Isso é coisa pra esse semestre que vem, o qual já iniciado com bastante cagada (tipo, talvez, dormir ao PC enquanto posta no blog)
Agraços. Até.
ERRATA!
Talvez tenha sido o sono, mas eu esqueci de um fato extremamente relevante: esse semestre conheci pessoas incríveis. Incríveis!
E ao novo, também.
Pois afinal esse ano as coisas começaram a funcionar semestralmente.
Quando a gente tá na escola (isso num geral) se acostuma ao lance anual. Isso é expresso nos termos, inclusive, e no fim o povão se preocupava em passar de ano. E fica a impressão de que se não passar, a vida pára. Até você repetir a primeira vez e, na melhor das hipóteses, abrir a cabeça e começar a enxergar o mundo de outra forma. E, bom, as pesssoas que conheci que tiveram que repetir o ano na escola sempre se referiram a isso como algo saudável a lhes ter acontecido. Então digamos que desde que eu percebi isso, as derrotas têm me parecido tão naturais quanto quaisquer outros fatos, o que, admito, até criava em mim uma expectativa por elas. Enquanto às vezes eu não me importava em perder, outras vezes era justamente o que eu queria, pensando é claro no aprendizado que viria depois. Então tá, dá pra dizer que eu comecei o ano assim. Pensando em perder, quase desejando isso. Bizarro, mas é fato.
Não perdi. Dali pra frente foi uma sucessão de coisas curiosamente arrumadas pra que a vida parecesse fácil e que todas as coisas parecessem ao meu alcance. Na real, a vida sempre foi fácil e as coisas sempre estiveram ao meu alcance, mas eu nunca dei a mínima, e agora que o cerco fecha, o fato de tudo ainda estar fácil e próximo me surpreende. Claro, às vezes não se aproveita a sorte e a oportunidade morre. Não morreram. As inúmeras oportunidades que eu perdi foram recuperadas até que as coisas terminassem da maneira que eu queria, ou, ainda melhor, da maneira que eu precisava. Por quê?, pergunto. Eu poderia ter aprendido da pior forma, mas não: foi simples, foi suave. Não sangrei, não suei; fui herói de TV, aquele cujo flagelo não se mostra, aquele cuja cruz não se revela.
Foi fácil, mas não foi ótimo. Não foi maravilhoso. E também não foi o fundo do poço. Queria reconsiderar essa idéia de dar às épocas e períodos classificações extremas, tipo "puxa, estou numa boa fase" ou "putz, estou numa má fase", mas não lembro mais quais eram meus argumentos, então que se exploda. O que vale dizer é que tive grandes momentos nesse semestre que passou - bons e ruins -, e que talvez seja bastante desnecessário colocá-lo em termos gerais ou defini-lo em extremos.
Inegável, acima de tudo, é que foi um semestre de lições. Uma das lições para serem aprendidas é que eu não devo destinar parágrafos inteiros a você, simples e unicamente porque você provou e provou de novo que não merece e muito menos quer isso. Dois períodos aqui são mais que o suficiente, então. Semestre de lições, só. Esse lance de aprendê-las é algo que ainda estou desenvolvendo, talvez com sucesso, talvez não.
Isso é coisa pra esse semestre que vem, o qual já iniciado com bastante cagada (tipo, talvez, dormir ao PC enquanto posta no blog)
Agraços. Até.
*
ERRATA!
Talvez tenha sido o sono, mas eu esqueci de um fato extremamente relevante: esse semestre conheci pessoas incríveis. Incríveis!
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